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Soares, diretor do Sindicato dos Estivadores, a bordo do navio "Marcos
Dias", de bandeira brasileira 11 de abril "Estamos dormindo ao relento porque não temos acesso a nada por aqui. Dormimos no convés, no chão frio, ou sobre jornais e papelões. À noite a temperatura cai muito aqui e já temos vários companheiros com problemas respiratórios, com a assistência possível, que é pouca. Comida tem chegado mas é um problema porque a Cosipa tem dificultado em deixar a alimentação chegar no horário normal. Temos jantado 2 da manhã, almoçado às 16h e assim por diante. Tenta nos debilitar. Sabemos que é caso pensado. Mas a determinação continua. Queremos negociação. Temos preocupação com o pessoal que está na porta da Cosipa e as famílias la fora. Isso deveria ser a preocupação do juiz que dá uma decisão dessas. Nós somos habilitados, qualificados pela Marinha e a Lei dos Portos diz que a mão- de-obra tem de ser buscada entre os registrados. Então não faz o menor sentido isso de trocar trabalhadores preparados e treinados por gente despreparada, desqualificada para o trabalho que vêm de um lugar que nem mesmo mar tem. Será que isso é que é modernização? Será que é melhorar a qualidade do trabalho? Então a modernização parece uma enganação vista daqui do convés. Queremos negociar e não conseguimos. Mas o certo é que vamos resistir até o final. Já estamos aqui há nove dias e não vamos desistir. A situação que a Cosipa criou é injusta apesar de qualquer decisão judicial. Queremos, portanto, Justiça, antes de mais nada. Nosso pior momento foi quando chegou o choque. Eles chegaram a entrar aqui e jogar umas bombas de gás no porão. Só não conseguiram nos encontrar. Depois a situação acalmou, mas sempre fica a apreensão, porque a cabeça é fogo. A gente se preocupa mesmo. Mas sabemos que a luta e justa e sabemos do apoio nacional e internacional que temos recebido. Sabemos que não estamos sós." |