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Marçal João Scarante, diretor do Sindicato dos Conferentes, no navio
"Vancouver", de bandeira maltesa Dia 11 de abril "A gente esta numa condição ruim de viver. Banho só de torneira, dormimos debaixo das escadas, sobre as cordas de amarração, vamos improvisando. O frio está forte à noite e temos tido alguns problemas. Ontem, dia 10, um dos companheiros, o Sebastião, teve uma crise de úlcera nervosa e teve de ser retirado daqui de ambulância. Mas, de cabeça, estamos todos bem. Agora somos em onze estivadores e um conferente. Aqui o comandante (grego) tem colaborado e a tripulação filipina nos trata bem, do mesmo modo que os tratamos. Pouco podem fazer, mas nos ajudam na medida do possivel. O relacionamento é bom. A gente fica muito apreensivo é com as famílias lá fora. A gente sabe que elas estão preocupadas. Tenho quatro filhos e trabalho 50 períodos por mês. Todo pessoal aqui tem seus filhos, suas responsabilidades e trabalha muito para viver. Mas estamos de moral elevado e cabeça erguida. Parece que hoje se abre uma negociação que, mesmo que nos prospere de imediato, já é diálogo. Queremos negociar. Esse processo de modernização começou com o Collor e desde então, todos os presidentes disseram que os trabalhadores não seriam prejudicados, inclusive o Fernando Henrique. Não é o que está acontecendo. O trabalhador entende que a justiça tem de ser cumprida, mas até chegar ao cumprimento da justiça é preciso buscar a verdade. A justiça está sendo aplicada sem que se procure a verdade. Nós prestamos um trabalho qualificado há 32 anos. Somos preparados e treinados e, no entanto, estamos sendo trocados por gente despreparada, trazida de Minas Gerais, que nem tem mar. Modernização, neste sentido, é fantasia. O trabalhador ainda não teve participação ativa no processo de modernização e é isso que queremos." |