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| OFICIAIS DO "VANCOUVER" DENUNCIAM |
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Comandante e imediato do navio "Vancouver" denunciam à
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Marítimos, Aéreos e Fluviais (Conttmaf) as
péssimas condições de operação no desembarque de carvão que a Cosipa está realizando
com pessoal próprio, em substituição a estivadores, conferentes e consertadores. Abaixo, a íntegra do release distribuído hoje, dia 17, às 10 horas (AM), pela Conttmaf. |
À esquerda, o Comandantedo navio "Vancouver", Geomelos Georgios A seu lado, o imediato, Spiros Miliotis |
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"Nunca vi uma operação tão ruim em qualquer porto brasileiro ou do mundo. O trabalho, além de lento, está sendo feito por pessoal despreparado que conseguiu desequilibrar meu barco. Tive de usar toda minha capacidade de lastro para evitar danos", disse ontem, dia 16, o comandante do navio de bandeira maltesa "Vancouver", Geomelos Georgios, de 53 anos, avaliando as primeiras 24 horas de operação no cais da Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa) com pessoal da própria empresa. O "Vancouver" ficou ocupado pelos trabalhadores do Porto de Santos entre os dias 2 e 15 de abril. "Se os problemas persistirem, paraliso as operações amanhã (hoje, dia 17)", afirmou. O "Vancouver" trouxe para Santos 46.800 toneladas de carvão carregadas no porto sul-africano de Richard Bay. Atracou às 13 horas do dia 1º, no pier 5 da Cosipa, o mais moderno dos berços da empresa. Seu navio foi ocupado pelos trabalhadores na noite do mesmo dia. Desocupado pela Polícia Federal na madrugada do dia 15, começou a descarregar pela manhã, com operações controladas pelo pessoal da Cosipa. "Notamos que as pessoas que estão à bordo não conhecem o trabalho e que insistiam em trabalhar nos porões de vante, os mais leves, e retirando carga do meio do porão. Nossos porões de ré são os mais pesados e o navio começou a erguer-se perigosamente. Tivemos de compensar com lastro, mas esgotamos toda nossa capacidade hoje (dia 16). Amanhã não deixo o navio operar se não forem corrigidos os problemas", explicou o comandante. "Tentamos falar com o pessoal que estava trabalhando, mas não havia um "foreman" (Conferente) para fazer a ligação entre gente de terra e de bordo e os trabalhadores além de não entenderem uma palavra de inglês, não entendem sequer os termos marítimos. Não eram Estivadores, que são trabalhadores treinados, especializados, e não deixariam o navio adernar. Gente preparada sabe que, por mais rígido pareça ser um cargueiro, ele na verdade é flexível, pode partir ao meio", completou o imediato do "Vancouver", Spiros Miliotis, 52. Ao longo de 24 horas o navio descarregou 14.350 toneladas, quando sob operação profissional, conforme suas palavras e baseados em outras viagens que fizeram para o mesmo terminal, essa quantidade teria sido movimentada em 10 horas aproximadamente. "Comunicamos nossa agência, a Fertimport, em Santos, sobre os problemas, e ela entrou em contato com a Cosipa, que prometeu resolver, mas não fizeram nada. Comuniquei também a armadora, a Target Marine, em Atenas, sobre o que está se passando", contou Georgios. "Não adianta contratar pessoal despreparado e economizar centavos, enquanto no conjunto da operação, justamente pela falta de especialização, a coisa toda ficará mais cara. Os navios atuais ainda precisam de trabalhadores portuários para carga e descarga, gente com conhecimento técnico das operações. Aqueles homens que colocaram lá para substituir os estivadores chegam a correr riscos de segurança porque sequer sabem se movimentar no porão", completou o imediato Miliotis. |