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BOLETIM DA INTERSINDICAL
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Selo
TRABALHADORES VOLTAM
AO CAIS DA COSIPA

GREVE NACIONAL É SUSPENSA
UPDATE DAS 22H30 DE 18 DE ABRIL DE 1997
Os trabalhadores do Porto de Santos acabam de retornar a seus postos de trabalho no cais da Cosipa. Um acordo temporário foi acertado com a empresa, para negociação global das relações de trabalho. Até dia 30 de abril haverá trégua para permitir o debate de um contrato ou convenção coletiva. Neste período, os navios que utilizarem o terminal privativo terão operação dupla, dividos entre os portuários e os trabalhadores contratados pela empresa. A primeira reunião para debate do acordo definitivo acontece terça-feira, dia 22.

A greve nacional deflagrada na manhã de hoje, dia 18 (leia abaixo), foi suspensa, incluindo o Porto de Santos, que estava paralisado desde o dia 15, em reação à invasão dos navios "Marcos Dias" e "Vancouver", que estavam ocupados pelos trabalhadores desde o dia 2. O trabalho em todos os portos será retomado às 7 horas de amanhã, dia 19.

Para o cordenador da Intersindical Portuária de Santos, Joaquim da Silva (Quincas), presidente do Sindicato dos Estivadores, "o mais importante dessa trégua é a retomada das discussões sérias, em torno de uma mesa, de onde nunca deveriam ter saído pela atitude intempestiva da Cosipa".

Para ele, trazer a Cosipa de volta às negociações foi uma vitória parcial, porém fundamental para a recolocação do debate da questão dos portos em seu devido lugar. "Essa fase difícil do movimento que atravessamos até aqui mostra também a importância da conjugação das ações efetivas com um esforço de comunicação e busca de apoio internacional para dar alcance à luta dos trabalhadores", disse.

José Tarciso Florentino da Silva, presidente do Sindicato dos Conferentes e vice-presidente da Federação dos trabalhadores avulsos (Fenccovib) também ressaltou a importância dos apoios recebidos de todo o mundo: "Sabemos que não se trata de uma luta apenas brasileira ou de Santos. Os mesmos tipos de problemas tem sido sentidos em vários países. Questões como a luta de Liverpool, de Seul, Amsterdan, agora Roterdan, são resultados de um projeto deliberado de precarização das relações de trabalho e de redução de renda. Os trabalhadores precisam dar uma resposta também de alcance global a esse projeto".

PORTOS PARAM EM PROTESTO
CONTRA A FALTA DE ACORDO
Negociações prosseguem

UPDATE DAS 13H30 DE 18 DE ABRIL DE 1997
Navio aguardando atracação

Mais de 300 mil toneladas de cargas já deixaram de ser movimentadas em Santos devido à greve de protesto que chegou hoje, dia 18, a seu quarto dia. 36 navios estão parados no cais e outros 21 continuam ancorados ao largo. Pararam hoje, em solidariedade, os mais importantes portos brasileiros

Sessenta e seis mil trabalhadores de portos do Brasil pararam hoje, dia 18, ou realizaram manifestações de protesto contra a exclusão de sindicalizados no trabalho na Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa). O movimento nacional pressiona uma rápida saída para o impasse, segundo a Federação Nacional dos Estivadores.

Além de Santos, o maior porto latino-americano, estão paralisados os portos do Rio de Janeiro, Rio Grande, Porto Alegre, Imbituba, e São Francisco. O porto de Vitória fez hoje a chamada "operação padrão", reduzindo o ritmo do trabalho, e amanhã, dia 19, pára em protesto por 24 horas. O porto de Itajaí está paralisando o trabalho 2 horas a cada turno de seis. E o porto de Paranaguá optou por manifestações públicas de apoio ao movimento de Santos

As negociações, interrompidas na noite do dia 17, foram retomadas na tarde de hoje. Segue sendo o principal impasse a intenção da Cosipa em operar os navios em seu terminal com pessoal próprio. Os sindicatos não aceitarão nem mesmo a divisão do trabalho, entendendo que, desta forma, estará sendo aberto um precedente que se espalhará primeiro pelo Porto de Santos e depois pelos demais portos do País. Tal sistema somente seria aceito por um período suficiente para conclusão de um acordo definitivo. A Cosipa mantinha a posição de não negociar a operação com seus próprios trabalhadores.

PRESSÕES CONTRA A DENÚNCIA
DOS OFICIAIS DO "VANCOUVER"
Informações acreditadas junto à Intersindical Portuária de Santos (InterPortuS) dão conta que estão ocorrendo pressões sobre os oficiais do navio "Vancouver", devido à entrevista que deram à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte Marítimo, Aéreo e Fluvial (Conttmaf), denunciando más condições e risco nas operações realizadas na Cosipa com pessoal próprio.

A Agência Marítima Fertimport, que representa o armador da embarcação, tem desmentido aos jornalistas a veracidade das informações. Essa atitude, segundo informações de dentro da própria agência, seria decorrência de pressões feitas pela Cosipa, que também teria pressionado os oficiais a não falarem mais com jornalistas, embora não tenha conseguido que eles desmentissem as informações.

A entrevista foi feita em um bar, no Centro de Santos, na presença de dezenas de testemunhas. Entre elas, o presidente da Federação Nacional dos Avulsos(Fenccovib), Mário Teixeira; do presidente do Sindicato dos Conferentes de Carga e Descarga, José Tarciso Florentino da Silva; do presidente do Sindicato dos Vigias Portuários e secretário-geral da Conttmaf, Carlos Henrique Matos (Caio) e do diretor do Sindicato dos Estivadores de Santos, Orlando Santana, entre outros.




VEJA DENÚNCIA DOS OFICIAIS DO "VANCOUVER"

Veja os incidentes do dia 15

Leia o release distribuído dia 15

O apoio fraternal da LabournNet

Mensagem de Liverpool

O apoio da Federação Internacional dos Trabalhadores em Transporte

Acompanhe o press-release encaminhado dia 8 aos jornais

Leia o documento entregue ao presidente da Câmara dos Deputados

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